Já pensou em enviar o seu carro para o espaço?

 In Tendência

Marcos Henrique tem 41 anos e uma filha de 11, que mora com a mãe, em outro Estado. Neste início de ano, ele resolveu tirar os planos do papel. Me procurou para entender qual seria uma boa opção de residência, em São Paulo. Após delimitarmos, juntos, seus bairros de interesse, mapeamos os empreendimentos residenciais que estariam dentro do perfil econômico e de produto dele para uma eventual aquisição.

Consideramos, entre outros fatores, metragem e opções de lazer. E chegamos a dois “fortes candidatos”.

O primeiro deles, um residencial localizado no bairro do Sumaré, zona oeste paulistana, é composto por uma única torre, com oito pavimentos e 117 unidades no total, cada uma com opção de até duas vagas na garagem e término de obra previsto para 1º semestre deste ano.

Ponto forte: baixo valor condominial, pela quantidade de unidades e localização – e, apesar de um pouco distante da estação de metrô e corredor de ônibus, estaria num “miolo de bairro”, com vista privilegiada pelo relevo e altura do térreo.

O preço final estava atrativo e mais barato que a segunda opção.

A segunda opção

Um produto cheio de conceito: lavanderia coletiva, dois carros compartilhados para o condomínio administrar entre todas as unidades, bicicletas igualmente compartilhadas, central de locação para as unidades, apartamento para locação para visitas ou familiares que quiserem se hospedar no mesmo prédio. E ainda: em frente à estação de metrô, porém, sem vaga.

Valor final acima da primeira opção.

Perguntei ao Marcos Henrique:

  • É seu primeiro imóvel?
  • Qual a intenção deste investimento?
  • É para moradia própria, locação ou revenda?
  • Qual sua relação com carro e com o transporte público?

Juntos, identificamos aspectos de destaque em cada uma das opções.

Em uma dessas coincidências da vida, Marcos Henrique lançou mão da sua vaga na garagem e tomou a decisão de compra com base na mobilidade e facilidade de acesso ao transporte público na mesma semana em que a SpaceX, do empresário Elon Musk, lançou um carro elétrico da Tesla ao espaço.

 “O imóvel que escolhi já era mais caro. Sem a vaga a diferença aumentava em cerca de 50 mil. Mas ponderei que, caso coloque a venda, provavelmente venderá num curto espaço de tempo porque a pessoa terá um estilo de vida parecido com o meu: abriu mão do carro”.

Por que esta citação e a decisão do brasileiro Marcos Henrique nos convida a refletir?

Primeiro, ele não é um millenial, a geração que nasce na era do compartilhamento. Segundo, a decisão final não foi pelo menor preço nem pelo empreendimento mais tradicional. Mas, sim, uma escolha pelo conceito e pelo imóvel que não tem vaga na garagem.

Marcos Henrique deu seu primeiro passo em direção a sua nova jornada de consumo e de mudança de estilo de vida.

E você, está preparado para enviar o seu carro para o espaço?

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Elisa Tawil

Empreendedora do mercado imobiliário e de negócios. Fundou a JL&co, por acreditar num modelo de gestão mais eficiente, leve e produtivo.

Paixão por fazer negócios com valorização do indivíduo e da sociedade. Possui experiência em soluções de conflitos e negociações em cenários de crise .

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