Em breve, mais um pet shop, farmácia ou minimercado perto de você.

 In Tendência

Se por um lado, os números de expansão das redes que atuam em segmentos como minimercados, pet shops e farmácias causam espanto, fica evidente o seu porquê. Basta olhar ao nosso redor e notarmos o óbvio: a multiplicação é real.

No bairro do Pacaembu e seu vizinho Higienópolis, na zona oeste de São Paulo, por exemplo, uma loja de conveniência de posto de combustível deu lugar à drogaria da mesma rede que possui duas unidades no shopping situado a poucos metros dali. Isso sem falar de duas outras unidades, da mesma bandeira, localizadas num raio de 500 metros.

Necessidade? Não. Oportunidade.

Outro famoso ponto conhecido por ser “micado”, para usar um jargão do imobiliário, há mais de 5 anos sem nenhuma locação, deu lugar a uma enorme rede de pet shops, que possui outra unidade a… 1,5 quilômetro de distância.

Isto sem falar nos mercados de bairro, que só nesta mesma região possuem sedes distribuídas em ruas mais calmas e nas principais avenidas.

Este formato, chamado de comércio de vizinhança”, é o que mais cresce atualmente, com um salto de 906,56% (2016), só no caso dos minimercados, como mostrou a reportagem da Veja.

Compra fracionada, residência unipessoal e envelhecimento da população

Teria a mudança no perfil de consumo uma relação direta com a mais recente legislação urbana e os novos produtos imobiliários?

A resposta é sim.

As lojas menores, ou próximas de casa, também atendem aos anseios dos consumidores solteiros, casais ou idosos, que não querem perder tempo fazendo compras de carro, distantes de onde vivem. “Houve uma mudança demográfica no País, com a explosão das residências unipessoais. Esse público prefere conveniência e proximidade. É uma compra de reposição, não para estocar”, afirma Antonio Carlos Ascar, especialista no setor varejista, para a reportagem da revista Veja.

Outra questão imobiliária que colaborou para o avanço dos minimercados é a dificuldade para encontrar terrenos disponíveis nos grandes centros. “O custo para construir um mini é bem menor”, diz Rodrigo Mariano, na mesma reportagem, gerente de economia e pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (Apas).

A queda da inflação, a dificuldade em se locomover nas cidades, praticidade, envelhecimento da população, e o recuo do valor dos aluguéis explicam o sucesso desse modelo nos últimos tempos, como indica a reportagem do Estadão.

“Os clientes costumam estar em um raio de até 500 metros de distância da loja, seja em casa ou no escritório”, diz André Nassar, para a reportagem da revista Veja, CEO do Grupo MGB, dono das bandeiras Mambo, Petit Mambo e Giga Atacado. A Petit Mambo contava com três lojas em outubro de 2017, mas a meta é chegar a 50 até 2021.

O Grupo Carrefour conta com 93 unidades Express, sua marca de loja de vizinhança. Desse total, 17 foram inauguradas no primeiro semestre. A meta é chegar a 100 lojas até dezembro. Segundo Igor Dantas, diretor de Expansão do Carrefour Brasil, a empresa inaugurou 50 lojas só em 2017. Foram 49 unidades Express e o primeiro Market. Do total, 3 unidades só na Avenida Paulista e também outras nas regiões da Av. Luiz Carlos Berrini, Av. Brigadeiro Faria Lima, no ABC, em Osasco e em Guarulhos.

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Um pet para chamar de seu

Outra mudança de comportamento que reflete no comércio de vizinhança se deu pelos donos dos bichos. Nos últimos anos, os animais de estimação passaram para dentro das casas e ganharam o status de membros da família.

Sergio Zimerman, presidente da Petz, atribui a um fenômeno mundial: a “humanização” dos animais de estimação. “O cão de estimação saiu do quintal e foi para a cama do dono”, observa o empresário. Segunda matéria de Mariana Poli para a Exame.

De acordo com Bruno Romanzini, gerente nacional de expansão da Petz, “o ano de 2017 terminou com o total de 17 lojas inauguradas, fazendo com que a rede tivesse 63 lojas em todo o Brasil. Em 2018, já inauguramos uma loja, e deveremos abrir pelo menos mais 20. Finalizando o ano com a meta de 85 unidades”.

Fachada ativa e uso misto

Ainda vamos vivenciar outro fator que irá colaborar, ainda mais, para este modelo de comércio. São os empreendimentos de uso misto, com a famosa fachada ativa, que corresponde à ocupação localizada no alinhamento de passeios públicos por uso não residencial com acesso aberto à população e abertura para o logradouro (Gestão Urbana).

É o mercado imobiliário remodelando e adequando os espaços públicos e seus usos, não só aos novos parâmetros urbanísticos, mas à transformação demográfica e modelos de consumo.

Para ficar de olho.

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Elisa Tawil

Empreendedora do mercado imobiliário e de negócios. Fundou a JL&co, por acreditar num modelo de gestão mais eficiente, leve e produtivo.

Paixão por fazer negócios com valorização do indivíduo e da sociedade. Possui experiência em soluções de conflitos e negociações em cenários de crise .

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